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Onde ficam as almas quando os corpos se deitam?
O fato é que quase sempre desencontram-se
E parece estranho que alma e corpo
tornem-se tão distantes em momentos tão sublimes.
Onde fica o riso logo após os gemidos?
Parece que uma dor infinita toma conta dos corpos
que até pouco pareciam plenos,
supostamente eram um só.
Desde o dia em que inventaram
que não somos quem somos,
a humanidade caminha cabisbaixa.
Desde o momento que tornaram diabólica
a criação divina, vida e prazer
tornaram-se coisas distintas.
Quem sou para não ser aquele que ele criou?
Corre em minhas veias o desejo.
Furta-me a paz a tentação.
Fossem os sonhos da criação diferentes
porque não fomos criados vegetais?
Não bata-me o chicote da
turba escuridão da visão dos tolos.
Não corte-me a alma a frieza das leis
postas em bocas de anjos que nada
tem haver com aqueles que supostamente os ditam.
Não agrida meu coração,
as bulas dos amargos e a cegueira dos infelizes.
Não castre meus instintos,
a paranóia dos impotentes,
a carranca dos que temem
e não conhecem de fato a criação,
apenas a supõem a partir
de suas caóticas comparações
com suas próprias tiranias.
Viva o amor!
Sentido e feito.
Viva o amor!
E sua linguagem de palavras doces e sussurros
e seus gemidos de impropriedades
por quanto visto por olhos doentios.
Viva o amor e a manhã seguinte.
Sou livre o bastante
para dizer que em meu coração
não ouço censura na voz de meu Deus
(Cosmo Palasio de Moraes Junior)
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