Despedida
(Cosmo Palasio de Moraes Jr)

Não quero ser o cronista do depois.
Por isso é importante 
que lhe diga todas as coisas do hoje
e as do ontem 
antes que venha o amanhã. 

Por isso quero escrever
contar a você coisas sobre o nós 
que só existe para mim
e deixar no papel
ao menos e que seja,
a história que sonhei 
e que você jamais 
se propôs a viver.

Não, 
não foram as coisas que você fez –
foram exatamente 
as que você não fez.

Foram todas aquelas 
que você achou graça 
quando meu rosto ficou triste 
e riu com ironia 
quando meus olhos ficaram molhados 
sem saber 
que dentro de mim 
morriam os anjos que fazem nascer o amor.

Não, 
não foram os momentos de presença
embora quase todos eles 
de presença sem vida e alma.

Foi mesmo 
o fato de você não ser 
foi o problema de muito antes de não ser amada, 
não ser amiga, 
não ser companheira,
não ser irmã.

Foi a fome que senti
pela ausência de todos os valores 
foi a falta de vida na vida.
E muitas pessoas dirão muitas coisas.

O que sabem elas da vida ? 

Morrem nas estações 
esperando por trens que não vem.
Festejam
o que não tem motivo para ser festa.

Sorriem
risos amarelos 
para as pequenas migalhas que ganham 
e dão nome de relação.

Não.
Posso não ser feliz,
mas jamais serei omisso.
Posso não ser amado
Mas jamais permitirei
Que o inverno do amargor
Apague o brilho dos meus olhos.

Seguirei sendo o que não sabem
Acreditando que um dia
O amor ainda vai chegar.

12/07/2004

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