Quando sinto
a vida me escapando
por entre os dedos
de homem.

Quando percebo
as lágrimas
chegando aos olhos
que já não enxergam futuro.

Quando a voz falha
pelo medo
de dizer palavras
que a força humana
não me deixam mais cumprir.

Quando as pernas falseiam
e tenho medo
de todos os caminhos.

Quando há apenas sono
e nada mais me diz respeito
como sonho.

Quando toda injustiça
me faz sentir um velho sem graça,
num mundo sem porque.

Quando acordar de manhã
parece ser uma batalha
entre a vida e a morte.

Quando viver se torna uma fardo
maior do que a possibilidade de ser..

Sim,
corro rapidinho
e me escondo nos braços da Fernanda.

E ela nem tem ainda dois anos,
mas sabe tudo
do amor que preciso
para não deixar de ser.

Cosmo Palasio de Moraes Jr.

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