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Respeito a tua intima solidão,
porque sei o quanto ela dói.
Muitos, muitas são aquelas pessoas
que batem a porta,
mas não sabem o que procurar lá dentro.
Nos achamos tristes e elas são pobres,
nos achamos solitárias e elas são vazias.
Respeito teu medo,
pela manhã seguinte
e pelo abandono que ela pode traduzir.
Mas é bom que se saiba,
é bom que se aprenda,
que de fato estaremos sempre sós.
Respeito tuas buscas,
este tatear com mãos e corpo,
este desejo de se dar mais
do que as pessoas precisam,
porque embora tenham fome,
nem de longe supõem como saciá-la.
Respeito teu olhar
perdido na noite,
sabe lá Deus em busca do que ou quem,
e este tempo que passa
e traduz cada vez mais a incerteza
de num momento qualquer
encontrar um porto seguro,
um lugar pessoa onde ficar.
Respeito teu corpo,
mesmo no momento que
está sobre o meu e que pensamos
que talvez aquilo seja o fim,
que imaginamos em nossa ilusão
que talvez aquilo seja amor.
Que façamos de nossas mazelas
uma forma de encontro.
Respeito tua mãos estendidas,
como se fossem pontes
que ligam homem-mulher,
como se traduzissem
uma relação intima sem
o prazer mais feroz.
Respeito teus sonhos,
este emaranhado
de pessoa-menina-mulher,
esta indefinição
que faz parte de nossa condição infinita
e que os humanos tão paupérrimos
interpretam como algo vulgar.
Respeito tuas palavras,
que tentam sempre ser mais
do que sons apenas,
mas que ficam perdidas
diante de ouvidos tão
insensíveis e pobres.
Respeito tua sede,
oriunda de algum lugar,
de algum tempo
onde não podemos ir
enquanto estamos brincando
de ser humanos.
Respeito teu silêncio,
momento único,
onde pode chegar de fato
mais perto de você.
Respeito teu prazer,
expressão única
que leva a porta do céu,
por onde minha alma às vezes vaga
e a janela do inferno
por onde juntos encontramos
o calor supostamente
oriundo do desejo.
Tu és olhares,
tu és palavras,
tu és sentimentos,
choro, gemidos,
amor e ódio,
prazer e desencanto.
Não tema ser!
De fato não somos
mais do que isso
e o que nos atormenta
não é a vida,
antes,
é a sua negação.
Não somos piores,
nem melhores.
Somos apenas reais.
(Cosmo Palasio de
Moraes Jr)
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