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Sobre as Coisas da Vida Não nos basta mais um mundo onde estranhos se matem todos os dias. Precisamos agora estar diante de um cotidiano onde filhos matem pais, onde pais matem filhos – onde quase sem notar vamos deixando ruir as frágeis bases que tentam ou supõe sustentar a sociedade. Talvez estamos deixando de ser bárbaros para sermos estúpidos e se muito antes já não prestávamos atenção a leitura da vida parece que neste tempo estamos mesmo fechando os olhos. Não sei mais o que de fato esperamos. A vida que já era pouca agora quase inexiste, os sonhos dos mais simples – na verdade direitos devolvidos em forma de poesia – beiram o nada absoluto. As ruas vão tornando-se estreitas e por toda parte e de toda parte surgem balas perdidas que não atingem mais apenas pessoas sem sobrenome – aquela gente cuja vida é simplesmente uma questão de sorte. Na verdade fomos longe demais e se não voltarmos – se é que é possível voltar – o mundo vai mesmo tomar a forma daqueles filmes que víamos em 70 - repletos de ruas desertas e coisas que eram confortáveis porque existiam apenas na imaginação. Se não cuidarmos rapidamente de tirarmos e enterrarmos as mascaras e trazermos a vida o humano real de cada um – logo não seremos mais do que um monte de gente que corre por toda de parte e de todos. È a hora de usarmos a inteligência para o bem comum – e isso não dará certo se não usarmos o amor como base para a inteligência – e não terá nenhum efeito se este amor não for mais do que estas migalha de sentimento que nos ensinaram a ter. Ou amamos ou morremos – ou cumprimos o mandamento – ou não iremos a lugar algum. Não nos basta mais apenas pensar que somos – nosso cinismo e ironia fugiu do controle – envenenou o seio da nossa sociedade, do nosso mundo, voltou sobre nossas cabeças com uma grande bumerangue. Ou mudamos as palavras e as ordens – ou nos conformamos com o eco que vem sobre nossas vidas. Não há o que temer. Resta sobre a face da terra a essência do homem – tão viva como o Deus que a anima. Temos dentro de cada um de nós a força da vida. Basta por os pés na vida e movê-los com as ordens do que temos de melhor. Nós somos a história. O resto é roteiro escrito por poucos, para poucos e por pouco tempo. Cosmo Palasio de Moraes Jr. |