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São crianças brasileiras Não estou alheio as coisas da violência urbana, na verdade estou entre a grande maioria de pessoas que morando nos grandes centros já teve que passar por um assalto. Mas nem por isso deixo de pensar, deixo de sentir, deixo de ter e manter em mim os valores e discernimento que creio sejam importantes para seguir na busca de soluções justas e verdadeiras para os problemas. Por não estar alheio a violência não posso deixar de entender e dizer que nada dela brota pura e simplesmente. Não existe lá no céu ou no bico das cegonhas – qualquer tipo de critério que determine que alguns nascerão bons e outros nascerão maus. O que existe – muito antes do que a grande maioria denomina de violência – é muita mais violência do que podemos imaginar e supor. Não creio que isso possa ser resolvido diminuindo o aumentando idade e responsabilidade. Não creio que supor que tratar jovens com problemas como adultos seja melhor do que tratar crianças como crianças. Não quero ser levado a pensar que uma capa de jornal ou revista faça com que eu mude minha forma de ver – quando insistem em chamar jovens marginalizados de bandidos – sigo pensando que devemos entender quem são as crianças brasileiras. É fácil demais falar em justiça e em direitos quando sabemos ler ambas palavras e ao menos supor algum entendimento. Talvez fosse mais difícil se desde o inicio tivéssemos nos brincado entre cadáveres tendo a fome como a companhia mais constante. É gostoso olhar apenas para o próprio destino e deixar estas coisas de fraternidade para as missas e cultos e seguir dizendo – quase que batendo no peito – que todos deveriam fazer como fazemos – sem levar em conta que talvez a falta de oportunidade foi a única diferença entre nós e estes com quem tanto gostamos de nos compararmos. E de repente surgem volta e meia alguns senhores da verdade e começam achar que a grande solução do mundo e aumentar muros e punir mais toda a gente que só conhece uma vida de punições. Criam e difundem uma lógica toda própria – que chegas ao ouvidos de um povo cansado e assustado. Ora, que novidade há em tratar nossas infância e juventude como bichos ? Que efeito de espera dando mais do mesmo remédio que só faz o mal aumentar ? Só espero que o nosso povo não desista jamais de ver criança em nossas crianças: de bola ou revolver na mão – criança é criança – e se não se porta como tal – perguntem então o porque aos adultos – em especial a aqueles que há muito tempo se portam como delinqüentes mas que ninguém conseguem colocá-los para lá dos muros – onde aliás – tanto desejam por nossas crianças. Cosmo Palasio de Moraes Jr. |